sábado, 25 de abril de 2009

O orkut e o preconceito alheio

Eu e o Orkut temos uma relação ambígua. No começo da modinha eu odiava. Não queria ter. Mas de repente me vi morando longe, sem amigos, sentindo saudade de tudo e de todos... Nessa hora ele serviu. De repente, eu via e sabia da vida dos meus amigos,e eles da minha.

Hoje em dia, pra mim ele tem várias utilidades, e eu convivo bem. Também me sinto mais segura pois agora, as ferramentas de segurança são bem melhores e sua vida só fica acessível pra quem realmente você quiser.

Comecei adicionando apenas conhecidos. Depois amigos de amigos. Os desconhecidos vieram em seguida.

Quando meu blog que fala de prevenção começou a ficar conhecido, comecei a entrar em comunidades que tinham a AIDS como tema, pra me inteirar das coisas. -Quando você trabalha combatendo algo, nada mais normal do que conhecer e estudar tudo a respeito.

Também comecei a ser convidada a participar de comunidades que não tinham a doença como alvo, mas se interessavam por ela, como as de temáticas homossexuais.


Algumas comunidades de soropositivos e ativistas me convidaram, em outras, entrei por conta própria mesmo. Muitas dessas pessoas adicionaram meu perfil. Aceitei todos os convites com muito carinho.

Mas ai, para minha surpresa. Vários "amigos" começaram a me excluir de suas listas.
Quando viam nas minhas comunidades alguns títulos "sugestivos" como: HIV-BR ou então Ter HIV não é vergonha e outras de temática Gay, os preconceituosos de plantão começaram a me excluir.

Afinal, eu só servia pra amiga antes de "arrumar AIDS e virar lésbica". Santa ignorancia!!! (Bom, minha opção sexual tá ai pelo blog, já que as vezes, "ela" comenta aqui, e quanto à minha sorologia, caso alguém queira tirar a dúvida, aqui está o link pra resposta).


Agora me perguntem se alguém se deu ao menos ao trabalho de me perguntar alguma coisa? Nada, nadinha mesmo! Isso é que é preconceito dos bons! E se fosse verdade, alguma dessas coisas. Ou as duas. Seria motivo pra isso?

Eu já fui muito de me importar com o que os outros pensavam a meu respeito. Fui, não sou mais. Hoje em dia, depois de umas boas voltas que a vida me deu, vi que era um tremendo desgaste. Aprendi então a só me importar com as opniões que realmente interessam. O resto do mundo pode pensar o que quiser!

A "limpeza étnica" foi ótima. Se pensaram que eu achei ruim, enganaram-se. Ficaram no meu perfil os verdadeiros amigos, e os desconhecidos não preconceituosos, pois me aceitam apesar da minha longa lista de comunidades "suspeitas".

A pior de todas as doenças se chama preconceito. Ela mata tudo. Corrói. Faz sofrer...

Dos portadores desse mal eu quero distância, sim.

Amigos de verdade, nos aceitam da maneira que somos. Amores, que realmente nos amam, e nos querem verdadeiramente, nos aceitariam até pintados de verde com bolinhas roxas. Quem não chega até ai, não precisa ficar, nem merece que fique!

Eu absolutamente não sou a melhor a melhor das criaturas. Estou muito longe de ser uma pessoa virtuosa. Mas posso me orgulhar de ter deixado de lado grande parte do meu preconceito. Nossa sociedade é preconceituosa por natureza. Os preconceitos são incutidos na gente de uma forma ou de outra.

Eu não concordo com tudo. Não sou adepta de todas as práticas. Mas respeito. E não encaro absolutamente nada nem ninguém apenas pela aparencia.

Tenho amigos de todas as tribos. E me orgulho de todos eles. Gosto de gente e isso basta.

Mas, os preconceituosos, eu realmente prefiro que fiquem longe.

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Essa semana, recebi um convite no meu perfil.

O Rapaz se apresentava assim: "Oi. Tb sou Positivo me add. "

Pra quem não sabe, o termo "positivo" é como se tratam as pessoas portadoras de HIV.

Aceitei o rapaz. Não expliquei nada. Nem faz sentido. Pra que explicar que AIDS é um tema de trabalho e estudo etc etc... E se faço algo assim, vou estar sendo preconceituosa também!

Namorado estava perto.

Olhei bem pra ele e perguntei :
" E ai, como você se sente namorando uma positiva?"

E ele: "Eu amo você, da maneira que é. E amaria de qualquer forma que você fosse !"

Pronto. É isso. Essas, são as opniões que realmente importam!

4 comentários:

Pâmela disse...

Sabe, eu também não sou uma pessoa virtuosa. Aliás, sou é bem difícil mesmo.
Mas também posso afirmar que não tenho preconceito ou que, pelo menos, tento me livrar do que ainda restou.
Não me importa se a pessoa é branca, negra, amarela, verde ou tem bolinhas roxas. Se tem AIDS, se falta uma perna, se anda de cadeira de rodas ou se dorme com alguém do mesmo sexo.
Pessoas são pessoas. E ponto. A frase termina aí.
O que me consola é pensar que, um dia, todas as pessoas preconceituosas que julgaram ou discriminaram alguém por qualquer motivo serão julgadas por alguém realmente superior. E aí vão aprender a lição: no final das contas, somos mesmo é iguais.
Beijos!
Ótimo fim de semana!

Monica Loureiro disse...

Acho que voce tem é uma cabeça muito boa....
Gostei do Blog...

Paula Castro disse...

Os meus parabéns. Está fantástico e noto que, tal como eu, não tem medo das palavras!
Quando chegam as 23 coisas aprendidas e que estão, penso, ainda em falta?
Obrigada pelo blog...

Carolina disse...

Adri, tbém combato o preconceito seja ele em que roupagem se apresenta e a luta mais bonita foi comigo mesma, uam revolução gradativa. Afinal o caminho é tortuoso, somos humanos, penso, logo existo é fato e como tal rotulamos instintivamente. Hoje apesar dos defeitos e qualidades luto, eternamente vigilante pra não definir nada antes de saber o que realemnte é. Faz parte do caminho pra nos tornarmos aultos e muitos infelizmente ou são eternas crianças brincando de adultos ou se fazem de adultos qdo por dentro continuam arraigados a idéia tradicional e convencional do mundo que já era. SE não concordo, no mínimo compreendo o outro lado das coisas.Acho que este é o caminho de viver bem com as diferenças que existem
Gostei muito do teu outro blog. Já adicionei.
bjos e bom feriadinho