quinta-feira, 12 de março de 2009

Sobre amizades e livros

Eu sempre devolvo os livros que pego emprestado. Juro!

Nada de virtude. Apenas detesto que não devolvam os meus. Então dou o exemplo.

Acontece que não sei como, perdi um livro que uma amiga me emprestou.

Acho que essa resposta eu só vou ter no dia do juízo final!

Quando me vir frente a frente com o criador, para dar conta dos meus bons e maus feitos, vou aproveitar a oportunidade ( já que Ele sabe de todas as coisas) e perguntar: Senhor, que fim eu dei no livro da Dani?

A Dani, proprietária do livro é minha amiga de longa data. Em agosto, serão exatos dez anos. Nos conhecemos na faculdade, no primeiro dia de aula e formamos um grupinho muito unido junto com outras três. Ela era falante, dinâmica. Nessa época, eu era o oposto disso tudo. Tímida, calada...

Eu era mais velha, e a única casada, então eram mundos diferentes.

Até o terceiro semestre tudo foi indo bem...

Mas começou um tempo atribulado pra mim. Eu estagiava, administrava a casa e a vida do maridão e ainda havia a faculdade. Eu corria, corria e corria...

Comecei a ficar estressada e doente, e o casamento já indo mal das pernas!

O primeiro casamento a se acabar nessa época, foi o meu com a Dani. Um dia atrasei minha parte num trabalho. Ela me disse umas poucas e boas, eu fiquei calada e fui chorar em casa.

Ainda ficamos nos falando, mas eu fui pra outro grupo. E até eu deixar a faculdade, não fizemos mais nada juntas.

Eu me separei, tranquei a faculdade, casei novamente e abandonei tudo de vez, faltando apenas dois semestres.

A Dani e as outras meninas se formaram, foram trabalhar. Eu na minha vida cigana tinha pouco contato com todos os meus amigos.

Em 2007, quando voltei pra casa, eu e a Dani começamos um novo tempo na amizade.

Ambas, havíamos passado por muitas, nesse meio tempo em que ficamos afastadas.

O tempo foi o melhor amigo da nossa amizade.

Ela, que era dona de todas as verdades, viu que não era bem assim...

Eu, venci boa parte da minha passividade, me apropriei de algumas verdades, e perdi o medo.

Assim, chegamos ao equilíbrio. Mas ainda não haviamos testado isso.

Quando ela me ligou pedindo o livro, fiquei com medo de que a nossa amizade fosse por água a baixo.

A velha Dani não perdoaria. Mesmo que eu quisesse pagar com uma centena de livros.

Pronta pra revidar alguma eventual ofensa, e com a língua bem afiada, liguei pra Dani e confessei o pecado.

Se fosse a velha Adri, aguentaria um eventual baile calada e depois iria chorar na caminha quente.

Mas qual não foi a minha surpresa, não houve piti. Uma Dani muito calma entendeu tuuuudo, e não fez tempestade em copo d'água.

Comprei um livro novo e no outro dia fui entregar.

E assim, continuamos muitíssimo amigas!

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Moral dessa estória:

1- O tempo apara arestas e melhora amizades

2- Melhor não sair de casa com livros emprestados. Assim o perigo de deixar o dito cujo em algum lugar é nulo.

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6 comentários:

Pablo Lima disse...

novas conclusões,posso?

1- o tempo ensina, cria novas verdades e coloca muitas coisas em foco.

2- sempre saio de casa com livors emprestados ou com os que me pertencem.Assim tenho a certeza de que sempre encontrarei alguém!


obrigado pela visita! bjs!

Calabresa disse...

Pablo, aqui vc pode tudo!

Por enquanto só vou sair com os meus livros, pois minha cabeça anda a mil e cem por hora...

Se perco os meus tudo bem, mas os dos outros, eu vou ter de pagar, e eu to faliiiida!!!!

Bjsss

Petite Femme disse...

eu devolvo livros e cd, embora às vezes empreste e nunca mais os vejo. seu texto me lembrou um monte de gente que eu conheço. gente que fez parte da minha vida em algum momento e que fiquei longos anos ter nenhum contato, até que um belo dia a vida nos colocou no mesmo "livro" novamente. em alguns casos essa pausa, a distância, fez muito bem. para outras a distância fez do recontato um abismo...

bjs

Arnaldo disse...

Tenho muito ciúme dos meus livros e discos. O resto, empresto tudo. Empresto carro, empresto casa, empresto dinheiro. Não tenho nenhum problema. Livros e discos, não gosto de emprestar. Eles são muito caros pra mim.

Valéria Martins disse...

Que história bacana! Assim é a amizade: a gente precisa perdoar e seguir em frente.

Eu tomo outra precaução: dificilmente peço livro emprestado a alguém. Porque a gente acaba esquecendo de devolver. Ruim...

Mas empresto quando me pedem. E assim, já perdi alguns livros... Tudo bem!

Beijos, boa semana!!!

Pâmela disse...

Vou tentar me lembrar de não sair de casa com livros emprestados.
Mesmo que, normalmente, eu que empresto os livros. E realmente espero que as pessoas tomem cuidado com eles. Mas imprevistos acontecem.
Nossa, com esse monte de coisas acontecendo na sua vida, não é de se admirar que você tenha mudado tanto.
Beijos!