Eu sempre devolvo os livros que pego emprestado. Juro!
Nada de virtude. Apenas detesto que não devolvam os meus. Então dou o exemplo.
Acontece que não sei como, perdi um livro que uma amiga me emprestou.
Acho que essa resposta eu só vou ter no dia do juízo final!
Quando me vir frente a frente com o criador, para dar conta dos meus bons e maus feitos, vou aproveitar a oportunidade ( já que
Ele sabe de todas as coisas) e perguntar:
Senhor, que fim eu dei no livro da Dani? A Dani, proprietária do livro é minha amiga de longa data. Em agosto, serão exatos dez anos. Nos conhecemos na faculdade, no primeiro dia de aula e formamos um grupinho muito unido junto com outras três. Ela era falante, dinâmica. Nessa época, eu era o oposto disso tudo. Tímida, calada...
Eu era mais velha, e a única casada, então eram mundos diferentes.
Até o terceiro semestre tudo foi indo bem...
Mas começou um tempo atribulado pra mim. Eu estagiava, administrava a casa e a vida do
maridão e ainda havia a faculdade. Eu corria, corria e corria...
Comecei a ficar estressada e doente, e o casamento já indo mal das pernas!
O primeiro casamento a se acabar nessa época, foi o meu com a Dani. Um dia atrasei minha parte num trabalho. Ela me disse umas poucas e boas, eu fiquei calada e fui chorar em casa.
Ainda ficamos nos falando, mas eu fui pra outro grupo. E até eu deixar a faculdade, não fizemos mais nada juntas.
Eu me separei, tranquei a faculdade, casei novamente e abandonei tudo de vez, faltando apenas dois semestres.
A Dani e as outras meninas se formaram, foram trabalhar. Eu na minha vida cigana tinha pouco contato com todos os meus amigos.
Em 2007, quando voltei pra casa, eu e a Dani começamos um novo tempo na amizade.
Ambas, havíamos passado por muitas, nesse meio tempo em que ficamos afastadas.
O tempo foi o melhor amigo da nossa amizade.
Ela, que era
dona de todas as verdades, viu que não era bem assim...
Eu, venci boa parte da minha passividade, me apropriei de algumas verdades, e perdi o medo.
Assim, chegamos ao equilíbrio. Mas ainda não haviamos testado isso.
Quando ela me ligou pedindo o livro, fiquei com medo de que a nossa amizade fosse por água a baixo.
A velha Dani não perdoaria. Mesmo que eu quisesse pagar com uma centena de livros.
Pronta pra revidar alguma eventual ofensa, e com a língua bem afiada, liguei pra Dani e confessei o
pecado.
Se fosse a velha Adri, aguentaria um eventual
baile calada e depois iria chorar na caminha quente.
Mas qual não foi a minha surpresa, não houve
piti. Uma Dani muito calma entendeu tuuuudo, e não fez tempestade em copo d'água.
Comprei um livro novo e no outro dia fui entregar.
E assim, continuamos muitíssimo amigas!
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Moral dessa estória:
1- O tempo apara arestas e melhora amizades
2- Melhor não sair de casa com livros emprestados. Assim o perigo de deixar o dito cujo em algum lugar é nulo.
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